6. GERAL 12.9.12

1. GENTE
2. ESPORTE  UM TIRO NA PRTESE
3. DIETA  A VITRIA DO BOM-SENSO
4. PR-SAL  OS DESAFIOS DOS BARES DO PETRLEO
5. VIDA DIGITAL  O PC EM BUSCA DA SIMPLICIDADE
6. ESPECIAL  O DIREITO DE ESCOLHER

1. GENTE
JULIANA LINHARES. Com Mariana Amaro e Marlia Leoni

CHORA, VIOLA
A cantora PAULA FERNANDES acostumada a deixar hordas de homens babando com a cinturinha mais fina da msica popular, est mantendo um, em especial, em estado de raiva espumejante. Paula tenta, na Justia, desligar-se da empresa de produes artsticas do cantor Leonardo, que tem contrato at novembro para cuidar da carreira dela. Os advogados do sertanejo dizem que o documento vale at 2014. Os dela conseguiram uma liminar que permite  cantora administrar os prprios shows. Paula, abalada, segundo uma colega, diz que quer resolver o caso de forma amigvel. De sua fazenda em Gois, Leonardo no aceita o papel de segunda voz, nem de vilo, e fala em princpios de tica e bom-senso.

CORPO SO, MENTE INSANA
Chamar os filhos de Ryder e Bingham j parece esquisito o suficiente, mas o direito de escolha dos pais tem de ser respeitado. E loucura mesmo KATE HUDSON fez para recuperar a forma depois da ltima gravidez. Eu malhava seis horas por dia. Fazia de 45 a 55 minutos de exerccios aerbicos e uma hora de pilates ou ioga. Repetia essa srie trs vezes ao longo do dia, confessou a atriz de 33 anos, famosa pelo corpinho perfeito e pela semelhana com a me, Goldie Hawn. Na segunda gravidez, Kate chegou a pesar 84 quilos, mas nada justifica a insanidade praticada contra o prprio corpo. Sem contar a dvida fundamental: quem ficava com o beb enquanto a me se acabava na ginstica?

TUDO BEM, EST PERDOADO
Usar criancinhas com doenas graves para melhorar a prpria imagem  um truque que em geral no pega bem, mas o prncipe HARRY tem uma espcie de licena especial para aprontar e continuar querido. Depois de ser flagrado enfiando o p, entre outros elementos corporais, na jaca, Harry correu o risco de que aparecessem vdeos mais comprometedores ainda. Saiu de treze dias trancado nos metafricos pores reais para reestrear com graa minuciosamente planejada ao lado do adorvel ALEX LOGAN, em tratamento de leucemia. Quem resiste?

UMA NOVA CAMINHADA
Tem de ter peito para reproduzir uma das imagens mais famosas do mundo, a do pster de mai que, em 1976, consagrou a j falecida atriz americana Farrah Fawcett. IZABEL GOULART tem o requisito bsico  alm de maxilares, postura, cabelo e provavelmente o abdmen mais perfeito a j desfilar por uma passarela. Mas no deixo isso subir  cabea, diz, toda modesta. E cheia de planos: quer escrever um livro sobre a vida de modelo e, em novembro, vai virar a apresentadora de um quadro no Fantstico que tenta encontrar uma nova candidata a hipnotizar as cmeras. Candidatas a menina fantstica, prestem ateno no exemplo de Izabel.

O BROTHER QUE VIROU SISTER
Quando chegou para a me e informou que atravessaria a fronteira dos gneros com as palavras mais simples  Sou menina , LANA WACHOWSKI antigamente chamada Larry (foto abaixo), ouviu uma reao de surpresa: Mas eu estava presente quando voc nasceu. Desde ento, s recebeu amor e apoio da me. E do irmo, com quem formou a dupla famosa por dirigir os trs filmes da srie Matrix. Chamados, em ingls, de Wachowski brothers, eles continuam a trabalhar juntos e a ser completamente arredios ao estilo de vida hollywoodiano.


2. ESPORTE  UM TIRO NA PRTESE
Ao contestar o ouro do brasileiro Alan Fonteles na Paralimpada, o biamputado Oscar Pistorius reacendeu o debate sobre a influncia da tecnologia nas vitrias.
ALEXANDRE SALVADOR

     O sul-africano biamputado Oscar Pistorius, de 25 anos, foi um dos destaques da Olimpada de Londres. Disputou com atletas aptos a prova dos 400 metros e do revezamento 4 x 400. No chegou ao pdio, mas fez histria. Desde 2007 ele lutava nos tribunais para provar que suas prteses, de fibra de carbono, no lhe conferiam vantagem sobre esportistas sem a deficincia. Na semana passada, logo depois de ser derrotado pelo paraense Alan Fonteles, de 20 anos, na final dos 200 metros da Paralimpada londrina, na mesma pista onde fora aplaudido de p h um ms, Pistorius deu um tiro em sua prpria prtese ao reclamar do resultado. Alegou que as pernas artificiais do brasileiro eram longas demais. Acusou Fonteles de tirar vantagem da tecnologia, argumentao semelhante  que ele mesmo enfrentara durante anos. Foi uma corrida injusta, afirmou Pistonus. No consigo competir com a amplitude da passada de Alan. Na cabea do sul-africano, as prteses do concorrente, trocadas antes dos Jogos por um modelo 5 centmetros mais longo, davam-lhe uma vantagem ilegal. No davam.
     As prteses de Fonteles estavam abaixo do limite estipulado pelo Comit Paralmpico Internacional (veja o quadro ao lado). Mesmo com prteses mais longas, a amplitude de passada de Fonteles foi menor que a do rival  o brasileiro deu 98 passos at a linha de chegada, com amplitude mdia de 2 metros, enquanto o sul-africano percorreu os 200 metros em 92 passadas, com 2,2 metros de amplitude mdia. Nem a conquista posterior de Pistorius no revezamento 4 x 100 nem as desculpas pelas declaraes agressivas foram suficientes para apagar a mancha de mau perdedor, o avesso do modo como ele  celebrado.
     Pode-se questionar a diferena de desempenho entre um atleta amputado em cima de prteses e um apto  mas no entre dois esportistas com equipamentos semelhantes e dentro das normas. Pistorius, mais do que ningum, sabe disso. O principal argumento da Federao Internacional de Atletismo para proibi-lo de competir na Olimpada de Pequim, em 2008, ao lado de campees sem problemas fsicos era que ele consumia menos oxignio que atletas ditos normais. A tese foi derrubada. No entanto, a vitria jurdica no encerrou a questo cientfica. Os mesmos pesquisadores que analisaram o sul-africano para o processo judicial publicaram em 2009 um estudo no qual revelaram uma ntida vantagem de Pistorius (no entanto, como era alegao ausente dos autos do processo, no foi levada  corte): as prteses tm a metade do peso das pernas biolgicas de um atleta de alto nvel. Por essa razo, um biamputado consegue reposicionar-se durante a corrida em tempo 20% menor que os melhores velocistas do mundo. Se fosse dotado de pernas de carne e osso, o sul-africano seria um corredor mais lento do que  hoje. So argumentos que ajudam a explicar por que ele se destacou na Olimpada de Londres  mas inteis para confront-lo com um igual, Alan Fonteles.

COMO  DEFINIDO O LIMITE DE COMPRIMENTO DAS PERNAS ARTIFICIAIS
O Comit Paralmpico Internacional tem um mtodo para calcular a altura mxima de um atleta biamputado com prteses,  uma estimativa feita para manter o atleta dentro dos padres de sua altura hipottica, caso tivesse ambas as pernas.
1- So aferidas duas medidas do corpo do atleta, e os valores obtidos so inseridos em uma equao matemtica. 
 A distncia entre a ponta do cotovelo e o punho
 A distncia entre o esterno e a ponta do dedo.
2- O resultado determina o limite mximo de altura do atleta em cima das prteses, com a tolerncia de 2,5% para mais ou para menos.
 Altura de Oscar Pistorius com as prteses: 1,86 metro
 Limite mximo autorizado da altura de Pistorius: 1,93 metro
 Altura de Alan Fonteles com as prteses: 1,82 metro
 Limite mximo autorizado da altura de Fonteles: 1,85


3. DIETA  A VITRIA DO BOM-SENSO
Como j se sabe, os regimes restritivos demais fracassam. S emagrece e se mantm magro quem come de tudo um pouco  e tem gente ganhando dinheiro com o bvio.
ADRIANA DIAS LOPES E NATALIA CUMINALE

     Neste exato momento, 50 milhes de brasileiros fazem algum tipo de dieta, em guerra contra a balana. Em apenas dois meses, contudo, metade ter abandonado os esforos por uma silhueta mais alinhada e uma vida mais saudvel. Outros quatro meses, e uma pequena parte (somente 2%) continuar firme e forte no ingrato propsito de perder os quilos em excesso. Preguia? Falta de fora de vontade? A maior parte das dietas que a imensa maioria das pessoas se prope a seguir  radical demais, muito restritiva, e por isso no funciona, diz o endocrinologista Freddy Eliaschewitz, diretor do Centro de Pesquisas Clnicas (CPClin).  assim desde a dcada de 70, quando o cardiologista americano Robert Atkins condenou os carboidratos e incensou as protenas (leia-se comidas gordurosas) como aliadas dos corpos esbeltos. Depois dele, vieram os programas de Beverly Hills e seu cardpio  base de abacaxi (e aftas). Em seguida, surgiu um tal de doutor Ornish, com a redeno das massas e pes integrais. Ah, e apareceram tambm os regimes da Lua, do tipo sanguneo e, mais recentemente, da princesa. Bobagens em srie. A nica maneira de perder peso de forma duradoura e saudvel  comer de tudo um pouco, sem radicalismo, completa Eliaschewitz.
     A dieta ideal  a do bom-senso, aquela que nossas avs recomendam desde sempre. A primeira vista, parece simples, mas h quem se perca no momento de definir as pores exatas. Para muitos, uma colher de sopa de arroz ou uma fatia mdia de pizza no so informaes suficientemente precisas. A colher pode ser cheia? Quo mdio deve ser o pedao? Para navegar no mar de dvidas, dois americanos bronzeados da Califrnia descobriram o ovo de Colombo. O personal trainer Steven Kates e o cineasta Myles Berkowitz esto engordando suas contas bancrias ao vender o bvio: medidores para os adeptos da sensatez alimentar. Batizada de Lifesize, a feiosa traquitana vem com oito recipientes  para carboidratos (batata frita, arroz e massas), pratos picantes (comida chinesa ou indiana), assados (quiche, bolo e brownie), carnes (vaca, frango, peixe, pato e nuggets), laticnios (derivados do leite), petiscos (de homus a marshmallow), extras (geleia, maionese, manteiga e crotons) e lquidos. Os medidores devem ser utilizados nas trs principais refeies dirias. H um grupo de alimentos que pode ser consumido  vontade. E o caso de frutas, vegetais, condimentos como ketchup e mostarda (sim!) e, pasmem, acar e sal. Lanado h um ano como uma tola coleo de potinhos, o Lifesize virou sucesso popular. Pagam-se 93 dlares pelos medidores associados a trs DVDs que explicam o mtodo, alm de uma tabela que deve ser colada na parede e mostra os itens que integram cada um dos grupos alimentares do Lifesize. Queremos livrar as pessoas da obsesso de contar calorias, disse Berkowitz a VEJA. A evidente recomendao do Lifesize no  o que se come, mas quanto se come. No ltimo ano, foram vendidos cerca de 7000 kits da inveno  s nos Estados Unidos e Canad, j que, por enquanto, no h como distribuir o produto em outros pases. Em breve, a dupla de empresrios pretende lanar um aplicativo para smartphone com fotos das quantidades sugeridas pelo divertido programa.
     O Lifesize comeou a nascer h cinco anos, quando Kates e Berkowitz foram apresentados por um amigo comum. Acima do peso, o cineasta Berkowitz pediu conselhos ao magrrimo e tatuadssimo (um rato morto no pescoo, inclusive) personal trainer. Kates sugeriu a mera diminuio de quantidades, mas nadinha de privao. O cineasta duvidou da proposta, mas seguiu o conselho e  mgica  emagreceu. Houve a ideia de escrever um livro, mas decidiu-se por algo mais palatvel. Novidade alguma, a no ser a inteligente sacada. Determinar o tamanho das pores dos alimentos com base nesse sistema  o mesmo que medi-las com colheres, xcaras ou copos, diz o endocrinologista Antonio Carlos do Nascimento.
      dura a vida em busca da esbelteza. Depois de dois ou trs meses, as dietas restritivas demais esto fadadas ao fracasso no somente por causa da reduo no consumo de calorias, mas, tambm, porque apregoam a eliminao de um grupo alimentar inteiro do cardpio.  evidente que uma pessoa acostumada a comer um chocolate no meio da tarde tem muito mais chance de seguir uma dieta que lhe permita continuar a desfrutar seu doce do que um regime em que ela  incentivada a trocar o chocolatinho por sementes de girassol ou damasco seco. No h quem aguente passar muito tempo  base somente de salada com fil de frango grelhado. A explicao est nos mecanismos de defesa da espcie. O apetite est associado  produo do hormnio grelina. Sintetizada no estmago, a substncia tem seus nveis naturalmente elevados diversas vezes ao dia, sobretudo antes das refeies. Quando a restrio  de pelo menos 600 calorias do total ingerido diariamente ou quando se exclui toda uma categoria de alimento, o organismo entra em estado de muita, mas muita fome. Nessas condies, cai a produo de outro hormnio essencial ao sucesso de um programa de emagrecimento, a serotonina, a substncia do prazer. Por isso a possibilidade de comer de tudo, embora menos, nos faz sorrir e acreditar que existem dietas agradveis.

BASTA COMER MENOS
O segredo para emagrecer sem abrir mo dos alimentos preferidos  simplesmente reduzir  a poro deles

3 colheres de sopa cheias de batata frita (45g)
1 bife grelhado grande (130g)
4 colheres de sopa cheias de arroz (190g)
3 folhas de alface + 2 fatias de tomate (60g, no total)
1 concha grande de feijo (140g)
Total de calorias: 560 calorias

2 colheres de sopa de batata frita (30g)
1 bife grelhado pequeno (100g)
3 colheres de sopa de arroz (75g)
3 folhas de alface + 2 fatias de tomate (60g, no total)
1 concha pequena de feijo (100g)
Total de calorias: 430 calorias

130 calorias a menos
Perda* de 0,5 quilo em 1 semana
*Os clculos foram feitos com base em um homem de 45 anos, 1,75 metro de altura, 80 quilos (ou seja, 5% acima do peso ideal), que pratica atividade fsica moderada (meia hora, duas a trs vezes por semana). O total de calorias dirias passou de 2250 para 1750 e a proporo de reduo calrica foi mantida nas outras refeies
Fonte: Ana Carolina Moron Gagliardi Miguel, pesquisadora do Laboratrio de Gentica do Instituto do Corao (Incor), em So Paulo.


4. PR-SAL  OS DESAFIOS DOS BARES DO PETRLEO
Empresrios que enriqueceram com negcios relacionados  explorao petrolfera enfrentam um momento de indefinio que pode pr em risco suas empresas  e o conforto a que esto acostumados
FERNANDA ALLEGRETTI

     Eles viajam em jatos prprios ou fretados. Servem champanhe Veuve Clicquot nas festas e nos petits comits em iates onde renem os amigos no fim de semana. Moram em casares decorados com obras de artistas conceituados e podem trocar de carro por capricho. Alm de hbitos caros e contas bancrias cheias de dgitos, esses brasileiros que ganharam um dinheiro com negcios ligados ao petrleo tm em comum o empreendedorismo, o esprito inovador e a obstinao. A boa vida foi conquistada com muito trabalho e boas sacadas nos negcios. A maioria apostou no setor petroleiro bem antes de se falar em pr-sal  num perodo em que a economia do Brasil no dava indcios de que se tornaria a sexta maior do mundo. Hoje, apesar da estabilidade financeira, os bares do petrleo esto preocupados. O motivo , justamente, o pr-sal.
     Desde a posse da nova presidente da Petrobras, Maria das Graas Silva Foster, em fevereiro deste ano, o setor passa por um choque de realidade. As metas da empresa foram revistas e, com isso, os contratos com empresas fornecedoras de equipamentos e servios  as companhias dos bares do petrleo  minguaram. Os sinais de que os ventos mudaram vm de longe. H quase uma dcada a Petrobras no cumpre suas metas de produo. No segundo trimestre de 2012, contabilizou um prejuzo de 1,3 bilho de reais. Foi o pior resultado desde 1999. No semestre, a queda foi de 64% em relao ao mesmo perodo do ano passado.
     Na opinio dos especialistas, o pr-sal foi usado como bandeira poltica pelo ex-presidente Lula. O discurso era que a nova descoberta resolveria os problemas do Brasil, e a Petrobras prometeu o que no podia, diz o economista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. Esse cenrio no se sustentou, e agora vamos ter de lidar com a realidade, acrescenta o advogado tributarista Cludio Arajo Pinho, autor do livro Pr-Sal: Histria, Doutrina e Comentarios s Leis. A realidade  que as coisas no esto acontecendo no ritmo que se esperava e as empresas que acreditaram no discurso do governo se deram mal. A Lupatech, produtora de equipamentos industriais para o setor de leo e gs, com sede no Rio Grande do Sul, investiu 400 milhes de reais na compra de quinze empresas entre 2007 e 2010 acreditando no aumento de demanda gerada pelo pr-sal. Acontece que a Petrobras, responsvel por mais de 50% de suas vendas, adiou e cancelou pedidos, deixando a indstria com lucro menor e dvidas pesadas. Encrenca parecida  a da estatal russa Gazprom, a maior empresa de gs do mundo. Ela se instalou no Rio de Janeiro no ano passado e at agora no vislumbrou oportunidades de investimento. A falta de sinalizao quanto aos rumos do setor de petrleo e gs brasileiro tem motivado presses da sede em Moscou.
     A freada nos investimentos se deu principalmente porque, desde 2008, no foram feitos novos leiles de reas de prospeco. Nesses preges, regies demarcadas pela Agencia Nacional do Petrleo so concedidas a empresas, que passam a ter o direito de explor-las. Sem novas concesses, no acontecem novos investimentos. A demora est ocorrendo porque a lei do pr-sal  indefinida quanto a questes contratuais e relacionadas aos royalties. Mas no h justificativa para que os leiles fora das reas do pr-sal tambm fiquem parados.
Outros empecilhos para novos investimentos so o fato de a Petrobras ter de lidar com o excesso de projetos nas reas j leiloadas do pr-sal, a falta de mo de obra qualificada e os frequentes atrasos na entrega de equipamentos. Isso resulta em mais custos para a empresa, que j est com seu caixa defasado. Contribui bastante para os atrasos a poltica adotada pela Petrobras de estmulo  indstria nacional em detrimento das metas de produo. Nas ltimas cinco rodadas de leilo, foi estabelecido que as empresas ganhadoras seriam obrigadas a usar 60% de bens e servios de companhias brasileiras. Sem o conhecimento necessrio para desenvolver determinados projetos, muitas companhias brasileiras se enrolam nos prazos e cobram muito mais caro pelos servios. Um caso que chamou ateno foi o do navio-petroleiro Joo Cndido, o primeiro a ser construdo no pas em catorze anos. Produzida pelo Estaleiro Atlntico Sul, com sede no Porto de Suape, em Pernambuco, a embarcao de 274 metros de comprimento e capacidade para 1 milho de barris teve sua entrega postergada inmeras vezes e custou 336 milhes de reais  o dobro do valor orado no mercado internacional. Quando finalmente foi inaugurado pelo presidente Lula, em maio de 2010, o Joo Cndido apresentava defeitos nas soldas e no sistema de tubulao. Numa referncia ao chocolate cheio de furinhos, foi apelidado de navio Suflair, o nico com casco aerado. Ningum  contra desenvolver a indstria local, mas no d para tirar nota 10 em tudo, diz Adriano Pires.  preciso eleger as tecnologias em que o Brasil tem chance de se destacar, a essas o governo deve dar incentivos, acrescenta Cludio Arajo Pinho.
     No  a primeira vez que o estado utiliza recursos protecionistas com o propsito de fazer florescer um segmento da indstria nacional. Nos anos 80, as extremas restries a importao de equipamentos de informtica para desenvolver fbricas brasileiras de computadores resultaram num fracasso retumbante. Um modelo avaliado por especialistas como adequado ao pr-sal brasileiro  o de incentivo a empresas locais, mas sem privilgios que comprometam a qualidade e a competitividade. Quanto mais servios e mo de obra nacionais as empresas usarem, menores sero os impostos pagos ao estado  eles podero cair de 20% a 30%.
     Muitos empresrios no concordam com as medidas protecionistas, que at agora s emperraram novas fontes de investimento, e defendem o bvio: as regras da economia de mercado. Eficincia, produtividade e qualidade devem prevalecer sobre a nao de origem do produto, diz Eduardo Vaz. presidente da Lder Aviao, de Belo Horizonte, uma das empresas que fazem o transporte de trabalhadores para plataformas petrolferas. A Lder financia sua estratgia de expanso com recursos da sociedade com a americana Bristow, que agora tem 42,5% de participao. Com isso, conseguiu o capital necessrio para investir em novos helicpteros que esto operando nas reas do pr-sal. J o grupo mineiro Georadar, que rene oito empresas que prestam servios ao setor petroleiro, se associou  norueguesa RXT. Eles j tm o know-how para trabalhar em guas profundas, o que vai nos poupar tempo e dar segurana no desenvolvimento desse servio, diz Celso Magalhes, presidente de novos negcios da companhia.
     Para os bares do petrleo que, apesar das adversidades, preferem investir no pr-sal, o especialista Cludio Arajo Pinho aponta trs grandes desafios:
      Captao de recursos, pois os investimentos no pr-sal so altssimos e levam tempo para dar retorno;
      Formao de mo de obra.  um grande gargalo, e no h trabalhadores qualificados em nmero suficiente;
      Discusso da tributao, pois as taxas ainda so muito pesadas.
     
     No  s o setor privado que tem de fazer a lio de casa. O governo precisa oferecer a infraestrutura para que o ciclo do pr-sal flua sem grandes contratempos. Isso inclui boas estradas, ferrovias, portos, aeroportos eficientes, fontes de energia eficazes, telefonia de qualidade. Caso contrrio, o combustvel pode chegar s refinarias mais caro e, portanto, menos competitivo no mercado internacional. Diz Lauro Mathias, empresrio de Curitiba que atua no ramo de fabricao e montagem de tanques de armazenamento: Quero mudar a sede da minha empresa para o Porto de Antonina, no Paran, que est abandonado h vinte anos. L, terei a oportunidade de trabalhar com manuteno de equipamentos do pr-sal. O investimento ser de 10 milhes de reais. Nosso faturamento  de 36 milhes e no temos apoio do BNDES. Se o pr-sal demorar muito para alavancar, poderei quebrar a empresa em que investi toda a minha vida. Preocupaes como essa tm tirado o sono dos bares que fizeram fortuna graas ao petrleo brasileiro.

VIDA DE ESPORTISTA
Celso Magalhes tem 54 anos, mas diz no sentir o tempo passar: Fao as mesmas coisas que fazia quando tinha 30. O segredo, segundo ele, so os exerccios fsicos: corre 10 quilmetros, faz trilhas de bicicleta e boxe chins.  Tanta energia  mais do que necessria para tocar a Georadar, indstria fundada por ele em 2003, que hoje rene oito empresas.  Os servios prestados por ela vo desde anlise geolgica at projetos de explorao. A Georadar est construindo trs navios que vo servir na regio do pr-sal.  O momento inspira ateno.   preciso melhorar a infraestrutura e atentar para o descompasso nos planos de negcios, ele diz. Nos fins de semana, Celso voa em seu prprio avio para Angra dos Reis. L mergulha e navega no iate de 87 ps. Se ficar em Belo Horizonte, onde mora, passeia com uma de suas duas harley-Davidson e faz saraus musicais em que toca piano acompanhando a cantoria da mulher.

ALMOOS EM FAMLIA
s sextas-feiras, o curitibano Lauro Mathias Neto, de 51 anos, viaja para o litoral catarinense. L, ele navega uma lancha de doze lugares, na qual vez ou outra aprecia uma batida de coco. Ultimamente, ele tem tido dificuldade para se desconectar. Estou com receio da desacelerao da Petrobras, diz. A empresa de Lauro, a Vetor Mathias, fabrica tanques de armazenamento e deslanchou graas a um sistema de construo de tanques com macacos hidrulicos que reduz o tempo de fabricao pela metade. Mesmo ocupadssimo, Lauro no abre mo de fazer todas as refeies em casa. Odeio quando marcam almoo ou jantar de negcios. Pela manh, antes do caf, ele caminha at a sacada da sala, que fica de frente para o campo de golfe do Graciosa Country Club, e observa o verde. Quando toda essa indefinio passar, quero aprender a jogar golfe, diz.

PESCARIA NO STIO 
Alexandre Brochi, de 39 anos, adora pescar. No ano passado, viajou para Mato Grosso do Sul atrs dos dourados da regio. Como no consegue se distanciar dos negcios com frequncia, comprou um stio prximo a sua casa em Americana, no interior paulista, por onde passam 800 metros do Rio Jaguari  cheio de peixes. Alexandre  presidente da Vivo Sabor, empresa de alimentao que tem entre seus clientes a Petrobras e outras indstrias ligadas ao petrleo. O o empresrio atravessa um momento delicado.  ru em uma ao civil de improbidade por desvio de recursos do programa Segundo Tempo, que oferece atividades esportivas  populao carente. A Vivo Sabor  acusada de ter ajudado a desviar 53% dos recursos. Minha companhia  idnea e a parte criminal do processo j foi arquivada por falta de provas, defende-se.

BANHOS DE SAL GROSSO
Todo ano, Henrique Serapio, de 37 anos, visita o terreiro do pai Olavo, em Salvador, para tomar um banho de sal grosso. Serapio acelera pela capital baiana num Mercedes conversvel SLK 250 e prefere assegurar-se de que o olho gordo no comprometer seu sucesso. Filho de funcionrios pblicos, formado em direito, enriqueceu prestando consultona tributria. Recentemente, criou um ncleo voltado exclusivamente ao pr-sal, que prepara empresas para participar dos consrcios do setor. Como tem pouco tempo para organizar a vida pessoal, Henrique paga 6000 dlares por ano  companhia internacional Quintessentially, que oferece o servio de concierge de luxo. Embora o pr-sal engorde sua conta bancria, Henrique pondera: No vai resolver todos os problemas do Brasil, preciso dar especial ateno ao uso que as cidades fazem dos royalties. Caso contrrio, muito dinheiro ser gasto de forma irresponsvel.

LIVROS E POMAR
Na casa do mineiro Eduardo Vaz, 50 anos, os livros se misturam aos porta-retratos, fazem companhia s telas de Volpi na sala de jantar e, no quarto, ficam dispostos em prateleiras. Mas  na biblioteca que eles se concentram. Leio todos os dias antes de dormir, diz. Da sacada desse aposento, veem-se o pomar com quarenta rvores frutferas, a horta e, eventualmente, at as galinhas que passeiam pela propriedade de 5000 metros quadrados. Eduardo  presidente da Lder Aviao, empresa de aviao executiva que tem 60% de sua receita proveniente do transporte de trabalhadores e cargas para as plataformas petrolferas. Por causa do pr-sal, compramos dois helicpteros, que chegam no comeo do ano que vem, mas eles ainda esto sem contrato com a Petrobras, diz. O investimento  de mais de 30 milhes de dlares e eles no podem ficar sem uso.

A REVOLTA DOS MINORITRIOS
A Petrobras anunciou a primeira queda de produo em cinco anos e um prejuzo lquido de 1,3 bilho de reais no segundo trimestre de 2012. A empresa atribuiu o mau resultado a problemas operacionais na Bacia de Campos e  desvalorizao do real. Mas um grupo de acionistas minoritrios brasileiros e estrangeiros contesta a avaliao  e critica o excesso de interferncia estatal na companhia (que, mesmo tendo o governo como principal acionista,  de capital aberto). A Associao de Investidores no Mercado de Capitais (Amec) e dezesseis grupos internacionais enviaram ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e  presidente da Petrobras, Graa Foster, uma carta reclamando da gesto da companhia. Desde 2009, a empresa registrou uma queda de 208 bilhes de dlares no valor de suas aes. Na carta, o grupo pede a substituio dos dois conselheiros que representam os minoritrios  Jorge Gerdau e Josu Gomes da Silva. Eles foram eleitos graas ao apoio de fundos de penso estatais e do BNDES, que, embora votem como acionistas minoritrios, esto alinhados com os interesses da Unio.  sabido que essas instituies esto expostas a uma influncia considervel do governo. Assim, no podem ser vistas como legitimamente nomeadas para falar em nome dos minoritrios, diz o texto. O grupo exige que, na prxima eleio do conselho, em 2013, os fundos e os bancos no votem. E o poder de presso no  pequeno. Os fundos estrangeiros que assinaram a carta administram 2,15 trilhes de dlares em investimentos pelo mundo.


5. VIDA DIGITAL  O PC EM BUSCA DA SIMPLICIDADE
As caractersticas minimalistas que deram certo no tablet comeam a ser adotadas tambm em desktops e notebooks, que ficam mais leves e fceis de usar.
FILIPE VILICIC

     No h segredo sobre como deveria ser o computador ideal: um aparelho com tela grande o suficiente para permitir que se leia ou assista a filmes com conforto, fcil de carregar e simples de usar. Tambm precisa ter a capacidade de transportar e permitir o acesso de maneira prtica a uma biblioteca de arquivos  documentos, msicas, filmes  em qualquer lugar. O problema  que essa mquina no existe, apesar de que, do ponto de vista tecnolgico, todos esses ingredientes j estejam disponveis. O que se tem mais prximo do tipo ideal so os tablets. A comear pelo iPad, da Apple, cujo lanamento, h dois anos, praticamente criou a categoria, eles revolucionaram o setor pela simplicidade de suas solues. No inventaram nenhuma tecnologia nova, mas reuniram entre as existentes aquelas que melhor se ajustavam a seus propsitos. So aparelhos leves, compostos basicamente s de tela, pequenos e normalmente com um nico boto  o Nexus, do Google, cabe no bolso de um casaco. Tambm so capazes de oferecer mobilidade e conexo permanente com a internet. O tamanho pode variar de 7 a 11 polegadas, o que significa que so todos pequenos. Falta-lhes espao de armazenamento interno, mas isso no  um problema, visto que os arquivos podem ser guardados remotamente. Na nuvem, como se diz. H ainda uma ltima caracterstica que fascina: o uso  intuitivo.
     Na outra ponta do espectro esto os computadores de mesa e os laptops, mquinas que durante quatro dcadas dominaram o mundo da computao. Oferecem telas gigantes e enorme capacidade de armazenamento interno. Mas so um fiasco no critrio mobilidade, tm uso pouco intuitivo e precisam de um cipoal de fios para operar. 
     Enquanto o nmero de tablets vendidos dobra a cada ano, o de desktops comeou a declinar pela primeira vez na histria. No surpreende que, nesse contexto, os fabricantes de computadores de mesa, de laptops e at de aparelhos de televiso tenham comeado a produzir mquinas com o padro minimalista dos tablets. O Vaio Tap, computador lanado pela Sony h duas semanas,  um bom exemplo da mudana. Sem cabos e com bateria prpria, foi projetado para ser levado de uma mesa a outra dentro de um escritrio ou casa (nem pensar em sair  rua com ele, pois pesa incmodos 5 quilos). Sua tela  sensvel ao toque e o mouse e o teclado so opcionais. Como um iPad, o display pode ser inclinado e ser usado como mesa touchscreen, ou colocado na vertical, posio ideal para exibir fotos e filmes. O sistema operacional, o Windows 8, que a Microsoft projetou para dispositivos mveis, se conecta a aplicativos de celulares. Como se trata de um desktop transvestido de tablet, a Sony prefere cham-lo de tabletop.
     Segundo relatrio da consultoria americana Forrester, o tablet  o dispositivo de computao utilizado por 10% dos americanos. A preferncia cresce quando se trata das faixas de maior renda. Metade dos executivos usa iPads como ferramenta de trabalho. Dentro de cinco anos, 800 milhes de pessoas sero donas de tablets, disse a VEJA Frank Gillett, vice-presidente da Forrester. Hoje, o primeiro contato das crianas com a internet j  feito por meio de dispositivos mveis. Dificilmente vo querer usar um PC  moda antiga. O ritmo acelerado da tabletizao dos computadores pode ser observado nos novos produtos exibidos na IFA, umas das principais feiras de eletrnica, encerrada na semana passada em Berlim. A Samsung, Asus e Deli, fabricantes tradicionais de computadores portteis, mostraram verses hbridas de laptop e tablet. So aparelhos leves, montados em torno de uma tela sensvel ao toque e que podem ser utilizados ao estilo do iPad. Mas oferecem tambm a possibilidade de ser usados com teclado e mouse, como um computador convencional. O modelo mais ousado do gnero tablet com teclado, o Surface, da Microsoft. chegar s lojas no ms que vem.
     O prximo passo da evoluo, atualmente em desenvolvimento na Apple e na Microsoft,  um computador, provisoriamente apelidado de frames (em ingls, quadros). So telas de 20 ou mais polegadas que podem ser conectadas a tablets ou smartphones. Dois meses depois do lanamento do iPad, em 2010, perguntaram a Steve Jobs, fundador da Apple, como ele via o futuro dos PCs. A resposta: Computadores sero caminhes e tablets, carros. Tablets, como os carros, so timos para as tarefas do dia a dia. Computadores, os caminhes, esto comeando a ser reservados a trabalhos profissionais, especializados, de engenheiros, designers e similares. Um ano aps sua morte, a previso de Jobs comea a se concretizar.

DESKTOP AO ESTILO TABLET - Vaio Tap, da Sony: com bateria, tela de 20 polegadas sem fio e teclado opcional
HBRIDO COM NOTEBOOK - O Surface, da Microsofi: como todo tablet, sua tela  sensvel ao toque. A diferena  o teclado localizado na capa magntica que serve de proteo ao aparelho.

COM UM PISCAR DE OLHOS
Bom filme tem de ser visto em tela grande. Quando se trata de televisores, quanto maior, melhor. J foram criados aparelhos enormes, com mais de 150 polegadas. Havia, porm, um problema: quanto maior a tela, pior a resoluo. Um novo televisor da Sony, que comear a ser vendido no Natal, parece ter superado essa deficincia. Lanado h duas semanas, o gigante de 84 polegadas oferece uma resoluo superior a 4000 pixels, quatro vezes a existente numa IV convencional. Tamanho e resoluo no so as nicas disputas entre os fabricantes de televisores. Desde que a tecnologia dos comandos com gestos foi popularizada em jogos eletrnicos, os televisores passaram a adot-la. A chinesa Haier foi alm: apresentou na semana passada um dispositivo que permite mudar de canal com uma piscada de olhos.  um prottipo, mas indica o rumo da TV de sala.


6. ESPECIAL  O DIREITO DE ESCOLHER
Deciso do Conselho Federal de Medicina muda a conduta do brasileiro ao reconhecer a legitimidade do testamento vital, documento no qual os pacientes registram o tratamento que desejam receber quando a morte se aproxima.
DIAS LOPES E NATALIA CUMINALE

Eu, Ana Carolina Arantes, diante de uma situao de doena grave em progresso e fora de possibilidade de reverso, apresento minhas diretrizes antecipadas de cuidados  vida. Se chagar a padecer de alguma enfermidade manifestadamente incurvel, que me cause sofrimento ou me torne incapaz para uma vida racional e autnoma, fao constar, com base no princpio da dignidade da pessoa humana e da autonomia da vontade, que aceito a terminalidade da vida e repudio qualquer interveno extraordinria, intil ou ftil. Ou seja, qualquer ao mdica pela qual os benefcios sejam nulos ou demasiadamente pequenos e no superem os seus potenciais malefcios.  As diretrizes incluem os seguintes cuidados: admito ir para a UTI somente se tiver alguma chance de sair em menos de uma semana; no aceito que me alimentem  fora. Se no puder demonstrar vontade de comer, recuso qualquer procedimento de suporte  alimentao; no quero ser reanimada no caso de parada respiratria ou cardaca.

	Essas palavras, incmodas em sua crueza, constituem um trecho do testamento vital de uma mulher de 44 anos, cheia de entusiasmo e plenamente saudvel. Ana Claudia, porm, tem uma convivncia ntima e diria com a morte.  Mdica geriatra, ela se dedica a uma das reas da medicina que mais se aproximam da hora do ltimo suspiro, a dos cuidados paliativos, prtica que pretende aplacar o sofrimento causado pelos sintomas e pelas sequelas de uma doena na iminncia do momento final.  Todos os meses, Ana Claudia testemunha o bito de vinte pacientes, em mdia. Em suas diretrizes antecipadas  eis outro e pomposo modo de chamar o documento , ela trata das questes referentes ao suporte mdico almejado na terminalidade, mas tambm de aspectos mais comezinhos e humanos, naquela poro de vida indizvel e inescapvel. Quero um beijo de boa-noite e de bom-dia. Sei que meu corpo pode estar frgil e muito diferente de mim, mas, acreditem, estarei nele; quero tomar banho todos os dias, com gua quente. Quero privacidade. Que as portas do quarto e as janelas estejam fechadas; ningum dever sentir pena de mim. Ao contrrio, ao me verem, as pessoas ho de dizer: Que sorte morrer assim.
     O testamento vital  um documento, evidentemente pessoal e intransfervel, cujo objetivo  fazer valer as escolhas individuais relativas aos tratamentos mdicos em um quadro terminal. No Brasil, nos ltimos anos, alguns raros acordos semelhantes j vinham sendo firmados entre mdicos e pacientes  ou ento por meio de posturas corajosas e fora da curva como a da geriatra Ana Claudia. O panorama, no entanto, dever mudar. Em uma deciso histrica, o Conselho Federal de Medicina (CFM) acaba de promulgar uma determinao destinada a consagrar a autonomia do paciente sobre seu destino. A resoluo muda drasticamente a conduta do mdico brasileiro, diz Roberto Luiz DAvila, presidente do CFM. Ao dar ao paciente o poder de escolha sobre como deseja ser tratado no limite da morte, o CFM alterou a determinao publicada na edio mais recente do Cdigo de tica Mdica brasileiro, de 2009  a de recorrer  opinio da famlia ou do representante legal ante a impossibilidade de levar em conta a vontade expressa do paciente. Como a resoluo tem fora de lei entre os mdicos, o profissional que no a respeitar pode ser punido at mesmo com a perda do registro. Ao longo desta reportagem, VEJA traz os depoimentos de mdicos e pacientes a respeito de suas expectativas em relao ao testamento vital.
     Idealizado no fim dos anos 60 pelo advogado americano Luis Kutner (1908- 1993), influente ativista dos direitos humanos e um dos fundadores da Anistia Internacional, o testamento vital (ou living will, em ingls) virou lei em 1990, motivada pelo caso da americana Nancy Cruzan. Em 1983, aos 25 anos, vtima de um acidente de carro, Nancy entrou em estado de coma vegetativo. Apenas sete anos depois da tragdia, graas  luta dos pais da jovem para dar  filha uma morte digna, a Suprema Corte autorizou a retirada da sonda de alimentao que mantinha Nancy viva. A ex-primeira-dama Jacqueline Kennedy recorreu ao testamento vital. Diante de um diagnstico de linfoma no Hodgkin, Jacqueline preparou um documento trs meses antes do falecimento, em maio de 1994, decidida a morrer em casa. Pouqussimo tempo depois, a equipe mdica avisou que o tumor havia atingido o crebro e o fgado. Seu desejo foi atendido. Ao anunciar a morte de Jacqueline, seu filho John Kennedy Jr. disse: Minha me morreu rodeada por amigos, familiares, livros e todas as coisas e pessoas que ela amava. Ela fez isso da sua prpria maneira, seguindo as prprias vontades, e ns nos sentimos com sorte por isso.
     Diversos pases dispem de medidas semelhantes  Holanda, Sua, Portugal, Alemanha e Argentina. No Brasil, o CFM no estabeleceu um formato-padro. O testamento vital brasileiro pode ser um pedao de papel assinado ou um simples acordo verbal entre o mdico e o paciente.  crucial, porm, que o testamento seja discutido com um especialista, para no haver nenhum conflito tico mdico, diz o procurador de Justia Diaulas Ribeiro, que participou da elaborao da resoluo do CFM. O testamento vital s pode ser usado em quadros terminais. O conceito de terminalidade  claro e irrefutvel na medicina.  a condio em que a pessoa sofre de um problema grave e incurvel e que no responde mais a tratamentos capazes de modificar o curso da doena.  o caso do portador de uma demncia e de um cncer em fases avanadas, por exemplo. No  o caso do jovem de 20 anos que sofre um acidente grave e pede para no ser reanimado.
     O perfil do paciente terminal tem mudado radicalmente. At pouco tempo atrs, a imagem do doente terminal restringia-se ao idoso preso a aparelhos de uma UTI. Com os avanos na medicina, no entanto, o tempo de vida do portador de um quadro terminal aumentou exponencialmente. Tome-se como exemplo o paciente com cncer de clon metasttico, uma doena agressiva. H dez anos, a sobrevida mdia desse doente era de dez meses. Hoje, o tempo  quatro vezes maior. A concepo moderna tem de considerar que os pacientes terminais podem agora ter qualidade de vida durante um longo perodo, diz o oncologista Andrey Soares, do Hospital Albert Einstein, de So Paulo, e do Centro Paulista de Oncologia.
     Para alguns, ter de cancelar um passeio  Disney com os netos para iniciar uma quimioterapia  sinnimo de fim. Para outros, estar ligado a aparelhos de uma UTI de modo a manter-se vivo no nascimento de um neto  que representa o derradeiro esforo. Nem mesmo os especialistas mais experientes tm certeza de at onde devem ir. Um estudo realizado nos Estados Unidos com 65.000 pacientes de 435 hospitais ao longo de oito anos e divulgado na semana passada mostrou que os mdicos muitas vezes interrompem prematuramente o clssico recurso de reanimao cardiorrespiratria. O levantamento descobriu que os doentes idosos internados em hospitais onde a reanimao costuma durar nove minutos alm da mdia tinham uma chance 12% maior de sobreviver e voltar para casa em boas condies em relao queles internados em centros hospitalares cujo tempo do procedimento era menor. O resultado contraria o pensamento comum de que ressuscitar pacientes debilitados  tratamento ftil. Acredita-se que, ao sobreviverem, poderiam ficar com sequelas neurolgicas graves.
     A preocupao central  a qualidade de vida, conceito que muda conforme a morte se aproxima. Em 2008, o historiador ingls Tony Judt (1948-2010) recebeu o diagnstico de uma doena neurodegenerativa, a esclerose lateral amiotrfica. O distrbio, incurvel, faz com que suas vtimas percam os movimentos do corpo. Um ano depois, ele j precisava de ajuda de ventiladores mecnicos para respirar. A proximidade da morte mudou a ideia de qualidade de vida do historiador. Em 2010, quatro meses antes de morrer, Judt disse em entrevista a VEJA: O limite para continuar vivendo muda a cada dia. Dois anos atrs, eu diria que viver do jeito que vivo hoje seria insuportvel. Agora, penso que o limite vai chegar quando eu no puder mais falar e no tiver meios de comunicar meus sentimentos e minhas ideias. Diz o oncologista Bernardo Garicochea, do Hospital Srio-Libans, em So Paulo: A iminncia da morte talvez seja a nica condio capaz de provocar mudanas profundas em absolutamente todas as pessoas que passam por ela.
     O testamento vital nos impele a pensar sobre a finitude, algo que evitamos com avidez. Mas ningum est preparado para morrer. Para muitos, a noo do fim definitivo  aterradora e um documento como o testamento vital causa natural desconforto. Nos EUA, somente 40% dos americanos optaram por deixar registrado como pretendem ser tratados no fim da vida. Nos ltimos dois anos, a mdica Ana Claudia Arames props o testamento a 100 pacientes. Apenas dez concordaram em faz-lo. A maioria justificou a recusa em elaborar o documento da seguinte forma: Ainda  cedo para pensar nisso. A idade mdia dos consultados pela geriatra era de 65 anos. A repulsa com que encaramos a morte hoje  oriunda em grande parte das conquistas da medicina. A partir do sculo XIX, com o avano do sanitarismo, as causas de doenas srias e fatais foram descobertas e, com isso, diminuiu o convvio com os doentes graves.
     Pouco a pouco, a morte foi confinada ao ambiente hospitalar. Dos anos 50 em diante, com a criao das primeiras unidades de terapia intensiva e todo o seu extraordinrio aparato tecnolgico, a vida sustentada artificialmente adiou a morte. Com o aperfeioamento dos exames de imagem, o refinamento dos remdios e a criao de mquinas para a sustentao artificial da vida, os portadores de doenas crnicas graves atualmente vivem dez anos a mais do que na dcada de 80. Fruto das conquistas da medicina ocorridas nas ltimas dcadas, o testamento vital serve de proteo para as situaes, comuns e quase inescapveis, nas quais os avanos cientficos embaralham os limites da vida tomada insuportvel pela doena (e mantida por meio de tubos, fios e sondas) com a possibilidade de urma morte digna.
     Morrer bem significa escapar vivo do risco de morrer doente, escreveu o filsofo Sneca (4 a.C.  65), intelectual do Imprio Romano, cujas ideias ecoaram ao longo dos sculos, e ultrapassaram todas as fronteiras das novas tecnologias em hospitais. Em De como filosofar  aprender a morrer, o escritor francs Michel de Montaigne (1533-1592) anotou: Meditar sobre a morte  meditar sobre a liberdade; quem aprendeu a morrer desaprendeu de servir: nenhum mal atingir quem na existncia compreendeu que a privao da vida no  um mal; saber morrer nos exime de toda sujeio e constrangimento. Aceitar a morte, enfim, no  nada fcil. A evoluo da medicina tornou ainda mais difcil lidar com essa inexorabilidade que pode ser postergada com cuidados mdicos. A possibilidade de adiamento do fim produziu ricos confrontos com posturas que tinham brotado h milnios, embebidas de tica crista. Na dcada de 50, o papa Pio XII deixou claro: ningum  obrigado a receber tratamentos extraordinrios para manter a vida em caso de terminalidade. De l para c, o embate entre morrer e segurar o desfecho numa UTI, pela real capacidade da medicina de manter a vida, ganhou novos e delicados contornos. Nesse aspecto, o das realizaes concretas, o testamento vital  libertador. Nada tem a ver, ressalte-se, com a eutansia, a prtica de apressar o fim de quem quer morrer. O testamento vital  o direito de decidir como viver quando chegar a morte.


O QUE HOJE  FTIL AMANH PODE SER A CURA
Um dos pontos mais decisivos do meu testamento vital seria o direito de revis-lo constantemente. A medicina avana muito rapidamente. O que agora  considerado uma terapia ftil amanh pode ser a cura de uma doena. Alm disso, certamente no serei a mesma pessoa daqui a dez, vinte ou trinta anos. A vida muda em todos os seus aspectos com o passar dos anos. Quem disse que no vou querer ficar preso a uma mquina para ver meu neto nascer? E, caso eu no possa me expressar e haja qualquer dvida entre as minhas diretrizes como paciente e as determinaes de meu mdico, as dele devem prevalecer.
Roberto Kalil, 53 anos, cardiologista

 VITAL TER UM MDICO DE CONFIANA
 Meu testamento vital dever conter uma nica informao: o nome do meu mdico de confiana. Ele ser a pessoa mais indicada para tomar decises sobre minha vida e minha morte. Meu mdico no permitir que eu sinta dor e que eu sofra por semanas se isso no me oferecer uma condio digna de sobrevida. Caso no seja possvel t-lo ao meu lado, eu vetaria qualquer medida exagerada de tratamento no fim da minha vida. A passagem da morte tem de ser da forma mais digna e confortvel possvel:
Ben-Hur Ferraz Neto, 50 anos, cirurgio

NO QUERO NADA DE MANEIRA SOFRIDA
No quero ser submetido a nenhuma medida invasiva no fim de minha vida. Se precisar ir para uma UTI para ser entubado, por exemplo, prefiro ser sedado. Tambm no quero ser alimentado e hidratado, caso tais procedimentos sirvam apenas para postergar minha morte, de maneira sofrida. Alm de conviver com a morte com frequncia devido a minha especialidade, perdi minha me para uma doena que a fez sofrer por um longo perodo. Optamos, eu e minha famlia, por no submet-la a terapias invasivas e desnecessrias. Minha me morreu no quarto, sedada, em paz.
Andrey Soares, 33 anos, oncologista

PELO RESPEITO AS FINANAS DA FAMLIA
Eu pediria para no ser submetido a procedimentos que me privassem da qualidade de vida. O documento, no entanto, teria de deixar claro que posso mudar de ideia a qualquer momento. Afinal, o conceito de qualidade de vida muda muito com a proximidade da morte. Outro ponto crucial: nenhum tratamento dever comprometer a vida financeira da minha famlia. H medicamentos oncolgicos carssimos usados sobretudo nas fases finais da doena cujo custo por seis meses de tratamento chega ao valor de um bom apartamento.
Bernardo Garicochea,
51 anos, oncologista

DESEJO TER A MORTE TRANQUILA DA MINHA ME
Minha me morreu das complicaes do Alzheimer, em 2008. Nos ltimos meses de vida, seu organismo estava muito comprometido. Ela no conseguia mais responder por si, vivia em outro mundo.  J estava internada quando o mdico me comunicou que teria que usar sonda gstrica, pois ela no queria mais comer nem tomar remdios. Eu sabia que no seria a soluo do problema. Recusei por ela. No foi fcil. Alguns mdicos no concordaram comigo. Estou segura do que fiz. Minha me ainda viveu por mais trs meses. Recentemente, fiz meu prprio testamento vital, s que verbalmente. Desejo ter a morte tranquila da minha me.
ANETE KURZWEIL SALHAGO, 55 anos, empresria.

TENHO O DOCUMENTO EM MEU PRONTURIO
Fiz meu testamento vital h dois anos. Tomei essa deciso depois de ter perdido meus pais e meu marido vtimas de doenas que exigiram cuidados mdicos por longos perodos  acompanhei o sofrimento de cada um deles de perto. Eu sabia que se sentiriam mais acolhidos em casa. Por isso, optei por interna-los somente quando se tornou realmente invivel cuidar deles fora do hospital.  Estabeleci as escolhas para o fim da minha vida com a ajuda de minha mdica de confiana. Hoje, o documento est em meu pronturio. E isso me deixa muito tranquila.
SNIA MARIA LEITE, 66 anos, qumica.

AS PRINCIPAIS DVIDAS
Com a ajuda do procurador de Justia Diaulas Ribeiro, da cmara tcnica de terminalidade da vida do Conselho Federal de Medicina, e da mdica Maria Goretti Maciel, coordenadora do departamento de cuidados paliativos do Hospital do Servidor Estadual de So Paulo, VEJA elaborou um guia com as perguntas mais comuns sobre o testamento vital.

1- O testamento vital s vale se for feito por escrito?
No. A resoluo do Conselho Federal de Medicina (CFM) no determina um modelo a ser seguido. O testamento vital pode ser firmado mediante um acordo verbal entre o paciente e o mdico. Por medida de segurana, no entanto, ele deve ser por escrito, com pelo menos duas testemunhas. Alguns especialistas recomendam ainda a nomeao dos chamados procuradores de vida, pessoas de confiana que, se for preciso, tomaro as decises mais prximas aos desejos do doente. O ideal  que os procuradores de vida sejam em nmero mpar (trs ou cinco) para que, em caso de dvida sobre uma conduta a ser adotada, ela possa ser decidida pela maioria.

2-  possvel alterar o documento?
Sim. O testamento vital no  definitivo.  possvel mud-lo a qualquer momento, e a nova deciso deve sempre ser comunicada ao mdico. Na Espanha, por exemplo, o documento vale por dois anos. Em Portugal, por cinco. No h essa limitao no Brasil. No deixe, no entanto, para fazer o testamento vital na ltima hora, quando a doena j se instalou agressivamente.

3. Um parente prximo pode se recusar a seguir as orientaes descritas no testamento vital?
No. A resoluo do CFM estabelece que o mdico deve respeitar as vontades preestabelecidas do paciente. L-se no texto do conselho: As diretivas antecipadas do paciente prevalecero sobre qualquer outro parecer no mdico, inclusive sobre os desejos dos familiares. O familiar s tem poder de deciso caso tenha sido designado pelo prprio doente como seu representante.

4- O testamento s pode ser utilizado em casos de pacientes terminais?
Sim. O CFM s prev o uso do documento por pacientes graves, incurveis e que no respondam mais a nenhuma medida teraputica.  Cada doena tem seu prprio curso e, por isso, os ltimos dias variam muito de doena para doena, de paciente para paciente.

5- O mdico pode discordar do testamento vital?
Depende. O mdico de confiana deve orientar o paciente e at participar da elaborao do testamento vital.  Se durante o tratamento surgirem novas opes teraputicas, o especialista deve apresenta-las ao paciente. Contudo, se o doente j determinou suas vontades e estiver inconsciente, seu desejo deve ser seguido.

6- Se o paciente estiver inconsciente e de seu testamento constar o desejo de que sua vida no seja mantida artificialmente, o mdico poder desligar os aparelhos?
Depende.  preciso distinguir entre o coma e o estado vegetativo persistente. O primeiro significa um rebaixamento do nvel de conscincia e h possibilidade de melhora.  J o estado vegetativo persistente consiste em um dano neurolgico irreversvel, com perda da capacidade de comunicao e conscincia.  Nesse caso, para que suas funes vitais sejam mantidas, o paciente tem de ficar ligado a mquinas, como respirador artificial e sonda de alimentao enteral.  A, sim, o mdico deve atender  vontade do paciente e desligar os aparelhos.  Sob o ponto de vista da tica mdica, o aparato tecnolgico apenas prolonga a vida de um doente incurvel.  Essa deciso vale para respiradores artificiais, sonda de alimentao enteral e mquinas de hemodilise.  Durante quinze anos, de 1990 a 2005, a americana Terri Schiavo ficou em estado vegetativo persistente devido a uma disputa judicial entre o marido e os pais dela, que defendiam a manuteno da vida artificial. Ela no tinha um testamento vital.

A TICA NO FIM DA VIDA
Desde 1867, foram estabelecidos nove cdigos de tica mdica no Brasil. A anlise desses documentos mostra as mudanas profundas ocorridas na relao entre mdicos e doentes terminais.

1945
A palavra morte no aparecia no Cdigo de Deontologia Mdica. No caso de doenas terminais, segundo as normas vigentes, o mdico deveria notificar a pessoas prximas ao paciente qualquer possibilidade de complicaes ou desfecho fatal. Ele deveria utilizar todos os recursos ao seu alcance para aliviar o sofrimento dos doentes.

1965
A atualizao do cdigo deixou claro que o mdico no poderia contribuir, nem direta nem indiretamente, para apressar a morte do doente.

1984
Foi introduzido o conceito de morte enceflica e o mdico passou a no poder usar meios artificiais, quando comprovada a morte cerebral

1988
O mdico no podia abandonar o paciente de doena crnica ou incurvel, mas deveria continuar a assisti-lo ainda que apenas para mitigar o sofrimento fsico ou psquico. O mdico estava proibido de utilizar, em qualquer caso, meios destinados a abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu responsvel legal

2009
Entre as vrias inovaes propostas pela ltima atualizao do Cdigo de tica Mdica, ainda em vigncia, estava a ortotansia.  Nos casos de doena incurvel e terminal, o mdico deve oferecer todos os cuidados paliativos disponveis sem empreender aes diagnsticas e teraputicas inteis ou obstinadas, levando sempre em considerao a vontade expressa do paciente ou, na sua impossibilidade, a de seu representante legal

2012
Recentemente, uma resoluo do Conselho Federal de medicina estabeleceu a validade do testamento vital.  Com a resoluo, em casos terminais, o mdico deve respeitar a vontade do paciente previamente registrada, mesmo que ele no possa se expressar.

Fonte: Conselho Federal de Medicina

VOC EST PREPARADO PARA O TESTAMENTO VITAL?
Alguns pontos fundamentais devem ser levados em considerao na elaborao do testamento vital. Com base em um modelo proposto pela organizao americana Compassion & Choices, com treze opes de mltipla escolha e nove questes dissertativas, a geriatra Ana Claudia Arantes elaborou, a pedido de VEJA, um teste para ajudar o leitor a identificar quais os conceitos mais decisivos que o influenciaro a determinar o tipo de tratamento que quer receber em caso de doena terminal.

ETAPA 1 - Classifique, em uma escala de 0 (menos importante) a 4 (mais importante), como voc avalia as situaes a seguir:
1) Deixar a natureza seguir seu curso
2) Preservar minha qualidade de vida, ou seja, ser capaz de fazer e viver tudo aquilo que considero importante
3) Manter-me fiel s minhas crenas espirituais e tradies
4) No ter a vida prolongada se no for possvel manter minha qualidade de vida
5) Ser capaz de tomar minhas prprias decises e ser independente para poder viajar, trabalhar e sair com os amigos
6) Sentir-me confortvel, com o mnimo de sofrimento fsico possvel
7) Poupar a minha famlia de me ver doente
8) Ser capaz de me relacionar com meus familiares e amigos
9) Estar livre de limitaes fsicas que me impeam de cuidar de mim mesmo
11) Morrer rapidamente e no ter a vida prolongada de modo artificial
10) Estar consciente e dono de minhas faculdades mentais
12) No gastar muito dinheiro com assistncia mdica no fim da minha vida para evitar prejuzos financeiros  famlia

ETAPA 2 - Some os pontos de cada uma das doze questes e confira o resultado abaixo
At 15 pontos
Voc prefere ser submetido a todas as opes teraputicas para prolongar sua existncia, mesmo que isso custe caro e que no haja a possibilidade real de manter-se com boa qualidade de vida.

De 16 a 32 pontos 
Voc ainda no se sente preparado para decidir sobre como prefere morrer caso seja acometido por uma doena terminal.

De 33 a 48 pontos
Voc quer ter sua vontade respeitada com base nas condies que estabeleceu para si mesmo, sem o prolongamento desnecessrio (e artificial) de sua vida.


